domingo, 29 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Posted by Cândido Augusto on 11:07


Com todo acesso que temos a notícias, também ganhamos um problema a superexposição de um assunto. Perdemos o fator surpresa, porque se você assim como eu caiu na armadilha de olhar fotos, noticias e análises do filme, pode ter certeza que já descobriu tudo que se passa no filme. Como fã do personagem de longa data, acompanho a trajetória de Batman desde dos quadrinhos até sua primeira aparição descente no cinema pelas mãos de Tim Burtom, digo descente porque na época aquilo era o máximo em termos de filme com heróis, acho até estranho algumas resenhas de pessoas que parecem que nunca leram uma HQ de Batman na vida, dando opiniões sobre o filme. Mas querendo ou não o filme é um blockbuster com altas somas envolvidas, e consequentemente vai gerar esse tipo de atenção. E como fã do personagem pude comprovar que tudo que Christopher Nolan prometeu foi cumprido, um final épico e grandioso para o personagem. 

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge encerra a trilogia, e essa trilogia entra para a história do cinema. Será lembrada por anos, assim como Superman (1978) e Superman 2 (1980) do diretor Richard Donner que nem conseguiu uma trilogia na época. As várias perguntas se Nolan conseguiria superar o filme anterior com o Coringa, já estão respondidas. Nolan não tenta. Se o Coringa de Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas, era um agente do caos, Bane (Tom Hardy) é a guerra em pessoa. O diretor cria um mundo completamente diferente para Bane deixando livre de comparações com o Coringa. Dando até uma frase que deve entrar para história do cinema:  "Quando Gotham virar cinzas, terá minha permissão para morrer"  diz Bane.


Bane representa o mundo atual um terrorista que pode aparecer a qualquer momento sem ser esperado e matar milhões, um vilão que pode incitar a massa de injustiçados e rejeitados pela sociedade criando um exército de fanáticos e assassinos, assim como Hitler fez. Mas aqui onde começa um problema, a tentativa de criar um vilão apocalíptico e aterrorizante, funciona de forma mediana. Tom Hardy como Bane, não impõe tanto medo assim, nem em aparência nem psicologicamente. A voz do vilão Bane motivo de discussões desde o começo, causa estranheza o filme inteiro e em certos momentos você pode acabar até achando graça, tirando todo o terror que podia ser alcançado. A escolha do ator Tom Hardy também é questionável, mesmo ele sendo bom ator, e muitos defensores dizendo que não tem como ele atuar sobre aquela máscara, se esquecem dos filmes de Sergio Leone, onde um close nos olhos criava momentos incríveis e tensos.Mas mesmo assim Bane ficou muito melhor do que nos quadrinhos.

Mas isso são só detalhes que não atrapalham a obra em si. É um filme grandioso com certeza, uma conclusão épica mas mesmo assim não é a perfeição. Nolan abraça de vez várias HQs como Batman - Filho do Demônio (1989) e  O Cavaleiro das Trevas (1986)  de Frank Miller, que fazia criticas a política e sociedade na era Reagan, aqui o diretor aborda o tema dos ricos e aproveitadores e da desigualdade das classes sociais, é onde Bane ataca.

Um outra teimosia do diretor ou mesmo como o diretor disse respeito a família de Heath Ledger, foi em momento nenhum citar o Coringa, já que Harvey Dent é citado todo o tempo, o mesmo não acontece com o Coringa. Parecido com a tática usada pelos filmes de James Bond de nunca citar vilões ou acontecimentos de filmes anteriores. Mas a pergunta não quer calar onde está o Coringa durante os eventos do filme?  O personagem pertence a mitologia e a história de Batman, o Coringa não pertence ao ator que fez o personagem mesmo ele tendo morrido. A resposta dizem que estará na  livro que adapta O Cavaleiro das Trevas Ressurge, escrito por Greg Cox a partir do roteiro de Christopher e Jonathan Nolan, como pode ser visto neste trecho:

“Agora que o Ato Dente tornou impossível para que os criminosos da cidade aleguem insanidade, a Prisão Blackgate substituiu o Asilo Arkham como o lugar preferido para prender criminosos condenados e suspeitos. Os piores entre os piores foram enviados para lá, com exceção do Coringa que, segundo dizem, ficou trancado em Arkham, como seu único hóspede. Ou talvez ele tenha escapado. Ninguém sabe com certeza."


Outro ponto negativo que segue até mesmo em toda a trilogia são as cenas de luta. Nolan deixa muito a desejar em cenas de luta, combates extremos corpo a corpo não são o forte do diretor. Se no primeiro filme o uniforme impediu movimentos, e no segundo o auge era contra a Swat, agora no terceiro eu sinceramente esperava bem mais. A luta contra Bane está longe do que poderia ter sido. E isso não se restringe somente aos combates de Batman, as lutas de Anne Hathaway como Selina Kyle também são medianas. E como Batman viajou o mundo treinando todas as formas de luta eu esperava um pouco mais, principalmente enfrentando um vilão como Bane. Como fã do personagem as cenas de lutas são frustrantes.
 
Oito anos se passaram e Bruce Wayne se encontra recluso em sua mansão, carregando a culpa e a dor pela morte de Rachel Dawes no filme anterior e os acontecimentos com Harvey Dent.  Gotham City agora está pacificada, não havendo mais espaço  para figuras como de Batman.


Diga se de passagem que este filme tem a melhor performance de Christian Bale de todos os filmes.  Nesse cenário Bruce tem o primeiro contato com Selina Kyle interpretada por Anne Hathaway, Anne não faz feio, sua versão da personagem é astuta e inteligente, seu traje é com certeza uma homenagem a atriz Julie Newmar da série de 1966 que interpretou a Mulher Gato, mas como disse no post As Várias Faces de Batman no Cinema, ainda não é dessa vez que a imagem de Michelle Pfeiffer em Batman O Retorno (1992) será apagada da cabeça de muitos. Sua Selina Kyle é simplesmente diferente rendendo grande cenas, como a do celular no bar.


Outro ator que merece um grande destaque é Michael Caine, sua atuação como Alfred está soberba garantindo momentos de emoção e espero uma merecida indicação para o Oscar. Os veteranos dão show como nos filmes anteriores. Ainda é incrível ver a personificação de Gary Oldman para Jim Gordon, idêntico a HQ Batman Ano Um, realmente um herói de guerra como é chamado no filme. O que falar de Morgan Freeman ele parado igual estátua já é uma atuação, seu Lucius Fox é sempre imprescindível a trama, mesmo com menos espaço neste filme.  Destaque para Joseph Gordon Levitt uma grande promessa para filmes de ação no futuro. E para a premiada atriz francesa Marion Cotillard, que mesmo escorregando um pouco no final garante a trama. A trilha sonora de Hans Zimmer é um show a parte, mostrando toda a grandiosidade que Nolan queria transmitir.


O diretor Christopher Nolan, entrega tudo que prometeu um filme intenso, grandioso de proporções épicas, todo o elenco merece aplausos. Não é a perfeição, mas Nolan merece todos os elogios por conseguir manter sua visão do personagem, mesmo com toda a pressão comercial, que um filme desse poderia gerar.

A inserção de Batman em um universo realista foi fantástica, sua visão do personagem permanecerá por muitos anos, como a melhor de todas. Infelizmente como no filme, Batman é o herói que o cinema e os fãs merecem, mas não o que precisa agora, conseqüência direta de Vingadores, e da ganância de engravatados que quiseram adiantar o fim do  "Nolanverso". Eu particularmente  gostaria de ver a versão do Pingüim e do Charada nas mãos de Nolan. 

Assim como O Poderoso Chefão, Senhor Dos Anéis e Star Wars, ganhamos mais uma trilogia histórica, Nolan de quebra entrega a franquia prontinha de bandeja para quem for dar seqüência.  Só tenho pena de quem for mexer na franquia, para atender os engravatados que novamente querem um Batman menos sombrio.

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